domingo, 22 de julho de 2007

Mais uma do Ferry!


Em meados de 2006, Ferry Corsten lançou nos mercados europeu e japonês seu mais recente álbum L.E.F. (L.E.F = Loud Electronic Ferocious).
A versão japonesa não apresenta a faixa bônus I Love You. Em contrapartida, traz um DVD bonus com video clips e intrevistas exclusivas feitas durante a produção do álbum.

No novo trabalho, Ferry materializa em 16 faixas (ou 15, sem o bônus) o que antes havia sugerido em seu Creamfields de 2005: um mix de faixas com influência electro e faixas trance com tempero uplifting, tudo com um apelo pop irresistível.
Destacam-se a faixa Are You Ready, o clássico Galaxia (com novo arranjo), a doce On My Mind, a bela Down On Love e I Love You.

Assim como Armin em Shivers, Ferry produziu um álbum de música eletrônica, e não uma simples coletênea de faixas trance. Mas no caso de Ferry, há um diferencial.
Dentre os grandes produtores europeus, Ferry sempre demonstrou maior habilidade para criar faixas com sabor pop eletrônico, e se não alcançou o crossover para o rádio com Right Of Way, isso bem poder mudar com L.E.F.

O fato de o álbum ser pop não implica que Ferry tenha aberto mão de sua integridade artística para produzí-lo. Os críticos dizem que ele se tornou demasiadamente pop, mas isso é um argumento um tanto quanto vazio, pois qualquer artista quer mais é que seu trabalho seja apreciado por um grande número de pessoas.
Sim, há bastante uso de vocais, e sim a produção não é muito inovadora. Mas o álbum também está longe se parecer com Crazy Frog e similares

O primeiro single, Fire, causou impacto ao apresentar nos vocais Simon Le Bon, sendo na verdade um rework da faixa Serious do Duran Duran.
Novamente, os críticos argumentaram que Ferry não deveria participar na co-autoria já que a música estava praticamente pronta. De fato, a faixa não é mesmo muito interessante, e só chamou mesmo a atenção por causa do uso dos vocais e samples.

Esqueça Fire e dê mais atenção as boas colaboraçòes de Ferry com as vocalistas Debra Andrew e Denise Stahlie, responsáveis pelos vocais em Forever e On My Mind.
Ouça também a faixa cantada por Howard Jones, Into The Dark, totalmente anos 80.

Os fãs mais radicais, ou quem sabe saudosistas, podem se decepcionar, esperando o trance que Ferry fazia na virada do milênio. Já os que estão abertos a mudanças podem ter uma grata surpresa ao ouvir L.E.F.
Não que ele seja o melhor álbum do ano, mas com certeza é um bom álbum que merece ser ouvido com atenção.

A Hora da Virada


É pouco provável que algum fã de Trance nunca tenha ouvido alguma faixa do produtor Laurence Rapaccioli nos últimos tempos.
Com execução maciça pelos principais DJs e inclusão em vários álbuns lançados nos últimos 3 anos, faixas como My World, Wasting e Amsterdam colocaram o nome de Laurance no panorama do Trance atual.

Fruto da colaboração com a vocalista americana Ahsley Tomberlin, o Luminary explodiu na cena eletrônica graças principalmente ao remix de My World feito por Andy Moor e incluído, entre outros albuns, no In Search Of Sunrise Volume 4.
Apesar do destaque dado a essa versão que estava sendo promovida desde o final de 2004, o single de My World lançado pela Lost Language no início de 2005 também contou com remixes de Hydroid, Nikola Gala, Pesh (Vocal e Dub) e do próprio Laurence sob seu alias Arksun, numa maravilhosa versão breakbeat.

A partir daí, vieram Wasting, ainda em 2005, também com remix de Moor, e agora em 2006, Amsterdam, lançada pelo sêlo Anjubabeats, com um remix de Smith & Pledger.
Os próprios sêlos pelos quais as 3 faixas foram lançadas, Lost Language, Armada e Anjunabeats, já representam um bom atestado da qualidade das produções de Laurence, mas nada melhor do que usar o próprio ouvido pra avaliá-las.
Com uma sonoridade com toques retrô, com bastante ênfase nas melodias de piano e sintetizadores, as faixas têm uma forte dose de melancolia, intensificada pela doce voz de Ashley e pelas letras intimistas.

De todas as faixas lançadas até o momento, a que menos se beneficou de um remix foi Amsterdam, pois a dupla inglesa Smith & Pledger não fui muito feliz na produção, resultando um remix meio xoxo e sem graça.
O mesmo pode-se dizer dos remixes que Pesh fez para My World, que ficaram com a cara dos remixes que o Above & Beyond produzia ainda em 2000 (What It Feels Like for a Girl, Everytime You Need Me, Home). Falando em remix que não ajuda, não podemos deixar de mencionar também a versão de Nikola Gala, exageradamente pesada.
Já Hydroid e Andy Moor estraçalham com suas versões de My World, e Andy acerta duplamente com mais um remix para Wasting.
Apesar dos rumores e do sucesso das faixas lançadas, ainda não há nos planos de Laurence um album para o Luminary, apesar de ele mencionar que a parceira com Ashley é extremamente produtiva.

A produção de Laurence, no entanto, não se restringe ao Luminary, ou muito menos começou com essa colaboração.
Na verdade, ele tem quase 10 anos de carreira como músico e produtor, tendo lançado faixas desde 1998 como Arksun.
Claro que, com o sucesso do Luminary, Laurence conseguiu espaço para poder divulgar melhor o Arksun, cujas produções vão do Trance, ao ambient e breakbeat.
Com remixes para Factoria, P.O.S. e Miika Kuisma, entre outros, ele mostra todo o seu talento num belíssimo remix ambient para Time To Say Goodbye do Envio, um épico cinematográfico batizado apropriadamente de Filmscape Mix. Com certeza, o melhor remix do vinil, que também contou com remixes de Bobina e Ozgur Can.

Ainda por cima, Laurence também é engenheiro de som, produzindo para Novation e Emu Systems, e se diz perfeccionista em seus desings. Como produtor, ele sabe de que forma os músicos vão utilizar seus projetos.
Aliás, ele demonstra mesmo ser cuidadoso e detalhista, desde as produções musicais, em que cada som parecer ter seu lugar certo, até a produção dos sites.
Tanto seu alias Arksun quanto o Luminary possuem sites muito bonitos e bem feitos, com várias informações (atualizadas!!), fotos do estúdio e audio samples.
Quem tiver curiosidade, deve conhecer mais sobre esse inglês, não deve deixar de visitar o sites e conferir tudo o que há lá:

http://www.luminarymusic.co.uk
http://www.arksun.co.uk

Quarto céu


O selo belga 541 de lançou (também em março de 2006) a quarta edição da bem sucedida série Heaven - Deep Trance Essentials. Focando Progressive House e Progressive Trance, a série Heaven se notabilizou por lançar no formato digital, ao grande público, faixas que antes tiveram apenas tiragens em vinil 12" ou que nunca tiveram lançamento oficial, sendo apenas promo.

Desde o primeiro volume da série, o tracklist inclui tanto faixas recentes (para a época do lançamento) quanto aquelas consideradas clássicas.
O volume 1, de 2003, por exemplo, incluía a colaboração de James Holden e Julie Thompson na intrigante Nothing, além da clássica Remember, fruto da junção dos talentos de BT e Jan Johnston e originalmente gravada em 1997.
Apesar de prometer versões integrais, os CDs freqüentemente traziam faixas editadas, como a arrepiante Escape (Driving To Heaven) do 16B com vocais de Richard Morel, que perdeu quase 2 minutos e meio de sua duração original. Mesmo, assim, a série se tornou sucesso por oferecer algo diferente no cenário das compilações e álbuns de Trance.

As seleção das faixas sempre se baseou mais em um feeling do que na representatividade de um gênero. Muitos podem argumentar que não se trata de Deep Trance, e em geral, não é mesmo.
As faixas quando reunidas dão uma sensação de melancolia, instrospecção e em certos momentos até sensualidade.

Considerando todo o histórico da série, o que o volume quatro nos traz então?? Infelizmente, este volume é o mais fraco de todos.
O problema, se é que isso realmente constitui um problema, é o fato do tracklist de
Heaven 4 - Deep Trance Essentials incluir muitas faixas recentes. E por recentes, entenda-se faixas lançadas de meados de 2004 até o início de 2006.
A idéia original de unir passado e presente se perdeu durante a produção desse quarto volume, e há poucas faixas "antigas" aqui.
Muitos podem achar isso bom, mas quando comparado aos outros "Heavens",
Heaven 4 traz um leve gosto de decepção.
De modo algum o tracklist é ruim. Aliás, o tracklist impressiona incluindo nomes como Airwave com seu alias Velvet Girl, Terry Grant, Guy Gerber, Deepsky, Satoshi Tomiie e Luke Chable remixando o clássico do Union Jack, Two Full Moons And A Trout.
Há faixas maravilhosas, como Ad Finem - Angel, Gabriel & Dresden - Tracking Treasure Down (leia meu post abaixo) e a bela Love Show de Skye Edwards, ex-vocalista do Morcheeba, num remix caprichado do Tom Novy.

A única faixa "mais velha" é o remix de Heller & Farley para Perfect Motion do Sunscreem, originalmente lançada em 1992. Por ser a única faixa antiga, a música de destaca de uma forma negativa, soando deslocada e um tanto datada.

Outro ponto que pode e deve ser criticado é a maior ênfase no Progressive House.
Heaven 4 apresenta pouquíssimo Progressive Trance e isso também é ruim, pois mais uma vez pode depecionar os fãs conquistados com os outros volumes.

Como já disse, o saldo deixado pela quarta edição da série
Heaven - Deep Trance Essentials é um pouco negativo, no sentido em que todas as características que a tornavam diferente de uma simples coletânea, ficaram para trás, nos outros volumes.

Heaven 4 é, ainda assim, muito bom, mas está longe de ser o melhor entre os Deep Trance Essentials

De volta com Gabriel & Dresden e o tesouro de Molly!!


Depois de muitos meses sem postar no meu blog original, me senti novamente motivado a escrever. Não que durante os 3 meses de ausência eu não tivesse ouvido muita coisa interessante.
Na verdade, faltou-me disposição pra sentar e escolher uma coisa legal sobre a qual escrever.
Então, em meados de março de 2006, uma nova paixão me arrebatou o suficiente pra me fazer sentar na frente do computador e escrever um texto legal.

Essa nova paixão é a voz de Molly Bancroft, parceira de Gabriel & Dresden na alucinante Tracking Treasure Down, lançada para promover o primeiro álbum da dupla americana. O título da música pode ser traduzido livremente com "caçando tesouros", numa alusão a quem não está contente com o que tem e vai buscar um "novo tesouro". É exatamente o outro lado da situação sobre o que canta Mavie Marcos em Beautiful Things do Andain
Aqui, Molly canta sobre a situação de ser deixada de lado, ou posta para trás, e a incongruência do parceiro em não admitir que quer algo novo.
A interpretação de Molly é amarga e não menos arrebatadora do que a melancolia e tristeza de Mavie.

E a produção de Gabriel & Dresden, mais uma vez transmite toda a urgência que a letra carrega, produzindo um acompanhamento de tristeza e uma grande dose de revolta, para servir um prato perfeito.

O mais incrível desta nova faixa de G&D, é o fato de eu mesmo ter me apaixonado por ela. À primeira "ouvida", reconheço que não gostei dela, achei-a enfadonha e sem muita energia. A semelhança do que aconteceu com Arcadia, a faixa me conquistou muito tempo depois, e me pegou de jeito.
Josh Gabriel e Dave Dresden parecem ter mergulhado de vez nessa sonoridade retrofuturista, que ao mesmo tempo que dá a sensação de "puxa, isso parece coisa dos anos 80!!" também soa extremamente moderna.
Mais uma vez eles demonstram que estão entre os melhores produtores pra remixar faixas com vocais. Há vários nomes por aí que tentam, mas percebe-se logo de cara que o remixer não sabia exatamente o que fazer com aquele vocal.
Outros produtores que se enquadram na mesma categoria de vocal-friendly são meu ídolo Armin van Buuren, a dupla italiana Antillas (o remix de Just Be é um clássico instantâneo), a dupla alemã Kyau vs. Albert, e o alemão Steve Murano, por mais incrível que isto possa parecer!! Quem duvidar, que ouça o remix de Long Way Home do ATB e negue o inegável.

Essa faixa é mais um exemplo do que Armin van Buuren vem há um bom tempo dizendo: o futuro do Trance e da música eletrônica em geral é se fundir e produzir híbridos com outros estilos. O mais surpreendente é que de todos os estilos musicais possíveis, o Trance parece combinar com o Rock ou Alternative Rock, incorporando elementos que historicamente faltam ou não que não se desenvolveram nele, notadamente os vocais. Outro belo exemplo dessa conjugação é Jump The Next Train do Young Parisians (a.k.a. Solar Stone) com Ben Lost nos vocais.
O melhor é que, ao contrário de uma faixa rock que é remixada, Tracking Treasure Down é uma faixa eletrônica por natureza e produzida desta maneira.

Grande parte do poder de
Tracking Treasure Down deve-se à performance de Molly, mais do que simplesmente a Gabriel & Dresden. Não que eles não mereçam seu devido crédito, mas a faxia poderia ter um resultado bem diferente se contasse com outra vocalista.
A letra (que eu acredito ser da própria Molly ou então parceria com os produtores) tem uma sensibilidade pop sem ser simplista e um apelo alternative rock, semelhante às composições de Sarah McLahlan.
Aliás, assim como a voz de Sarah, a voz de Molly tem aquela qualidade única, capaz de combinar bem com qualquer acompanhamento, seja ele orgânico como numa produção acústica, seja numa faixa eletrônica.
Essa qualidade é muito bem explorada no Alternative Mix (assim chamado no promo e depois rebatizado de
Low Tech Mix) que está presente no Promo CDR, liberado na internet. Muito parecida com a Slow Train Version de Jump The Next Train, esse remix alternativo é na verdade totalmente alternative rock, e com uma boa divulgação, teria execução maciça nas rádias e poderia ajudar a firmar o nome de Molly como artista solo.

Na época, ainda não havia remixes oficiais disponíveis, fato que depois foi bem compensado no single oficial, que contou com 12 faixas, e eu esperava que o time de produtores escolhidos para o release oficial de
Tracking Treasure Down consiguisse alcançar a qualidade do Original Club Mix.
Existe também um bootleg produzido, na época, por Rein De Vries circulando na internet, que é bem interessante por adotar uma abordagem mais Trance. Infelizmente, a produção não foi 100% profissional, e os lindos vocais de Molly ficaram soterrados pelo instrumental. Além disso, o tal Rein também não soube concluir seu rework e simplesmente copiou o último minuto do Original Club Mix que não casa com a produção Trance do restante da faixa. Mesmo assim, vale a pena conferir como poderia soar um remix produzido por Armin, Above & Beyond ou até mesmo PVD ou Kyau vs. Albert (que realmente remixaram a faixa para o release oficial). But please, não me venham falar de um remix de Tiësto, hein.....

Fiquei muito curioso para ouvir as outras 3 faixas que resultaram dessa colaboração Molly + G&D, que, promete-se, estarão no primeiro álbum duo americano.
Fiquei ainda mais curioso pra conhecer Get Closer, único álbum de Molly lançado comercialmente.

Não deixe de visitar http://www.mollybancroft.com e conhecer um pouco mais dessa incrível artista.

Celebração


Para comemorar o sucesso do sub-sêlo A State Of Trance do Armada Music, Armin van Buuren reuniu seus vinte primeiros lançamentos num álbum chamado A State Of Trance - The Collected 12" Mixes em 2005.
Para quem já conhece o dom do produtor em lançar faixas de qualidade, o excelente tracklist não é nenhuma surpresa. Mesmo assim, o álbum não deixa de ser um item recomendado para qualquer fã de trance.

Armin, em seu programa semanal A State Of Trance, sempre deu ênfase ao trance de qualidade, muitas vezes abrindo espaço para novos artistas ou então ratificando o talento de grandes produtores.
Não há, nesse álbum, faixa que não tenha visitado suas pick-ups ou que não tenha sido escolhida Tune Of The Week ou Future Favorite, em seu programa semanal.
Como bom empresário, Armin também sempre soube identificar as faixas que cairiam no gosto do público e dos DJs. Por isso mesmo, todas as faixas do álbum foram lançadas pelo A State Of Trance desde 2003.

O que os tais Collected 12" Mixes têm de bom a oferecer aos fãs de Trance??
Bom, para os DJs profissionais, não há mesmo nenhuma novidade pois todas as faixas foram lançadas em 12 polegadas. Já para o fã comum, esta é uma oportunidade de ter em qualidade de CD várias versões (remixes ou originais) só lançadas anteriormente em vinil: são dois CDs, 20 faixas, não mixadas.

Armin sempre recebeu muitas críticas por ter um estilo de produzir e remixar mais tradicional, um pouco mellow e "demasiadamente" (segundo seus críticos) comercial. Se isso é verdade ou não, a mim não cabe discutir pois sou muito parcial quanto a ele: ele é um dos meus artistas preferidos, seja como produtor ou DJ. Assim, fica a cargo de cada um ouvir esta coletânea e tirar suas próprias conclusões.
Um coisa, pelo menos, os críticos não poderão dizer: que o álbum é repetitivo ou chato. As 20 faixas escolhidas contemplam várias vertentes da produção de Trance atual, do hard ao progressive, do deep ao chill, incluindo artistas como Envio (num estilo mais "relaxadão"), Firewall (um dos muitos aliases de Lange) e Questia (a.k.a Vincent de Moor).

No CD1, os destaques são as faixas Pulser - My Religion, Outback - Minds In Motion, Signum - Push Through e Envio - Touched By The Sun, todas em versões originais.
Já no CD2, destacam-se CERN - The Message (com Gareth Emery na co-produção), Firewall - Killimanjaro (Lange de novo), Outback - State Of Emergy e Markus Schulz pres.
Elevation - Clear Blue num remix fantástico do Airwave (Laurent Veronnez a.k.a V-One, Lolo e The Green Martian).

Num ano em que muitos dos grandes nomes não chamaram a atenção por produções ou remixes, é muito bom ver uma coleção como esta, que mostra que o Trance aí tem muita pilha pra gastar.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Nenhuma novidade


Tiesto acaba de lançar seu álbum Just Be em versão Remixed e o tracklist, infelizmente, é bem frustrante. Pode até parecer implicância minha contra o DJ holandês, mas não é.
Com 14 faixas, o álbum apresenta muito pouca novidade: apenas 4 remixes novos.
Enquanto Paul Van Dyk, por exemplo, soube capitalizar muito bem em cima de seu álbum Reflections, lançando edições especiais e o álbum Re-Reflections, Tiesto fez apenas uma coletânea de remixes previamente
disponíveis em singles. Ou seja, tudo já conhecido e ouvido. O pior é que o press release anuncia os remixes como raros e hard to find, o que é uma tremenda mentira (!!!) pois são remixes retirados dos singles lançados na Europa, EUA e Austrália.

Just Be e Adagio For Strings comparecem com 7 faixas do álbum. Assim, se você não gostou destes singles, nem chegue perto do álbum. Ou ainda, se você já os possui, também não há necessidade de ter também Just Be Remixed.
Por outro lado, se você é muito fã destas faixas, pode até cogitar desembolsar uma graninha, mas há coisas melhores com que gastar dinheiro.

Love Comes Agai está presente com o único remix lançado, feito pela dupla Mark Norman, por sinal, bem chatinho. Por mais que leve o nome de Tiesto, Love Comes Again é totalmente a cara do parceiro BT, ficando deslocada no álbum Just Be
Sempre achei que ela deveria ter ficado no álbum Emotional Technology (do produtor americano), deixando espaço para produções mais ao "estilo" Tiesto.
Os remixes batidos (originalmente lançados em 2003) de Traffic (DJ Montana e Max Walder) aparecem mais novamente para incomodar, uma vez que são tão chatos quanto a versão original.

As poucas novidades do álbum ficam a cargo de UR e A Tear In The Open, em remixes de Tom Holkenborg (Junkie XL) e da dupla Leama & Moor.

Junkie XL arrasa em seu Air Guitar Remix. É incrível como alguns dos remixes de Tom trazem semelhança com as produções de Gabriel & Dresden. Adoraria ver (ou melhor ouvir) o que esses três caras aprontariam juntos num estúdio. Ou talvez o que Tom faria com uma faixa do Andain, por exemplo. Bom, vamos esperar que o futuro nos traga surpresas como essas!

Já a dupla sensação da cena prog, Leama & Moor acertam e erram, com saldo final nulo. Seu remix de A Tear In Open não funciona. Ao ouvi-lo logo em seguida a UR tem-se a impressão de que ficaria melhor com os vocais de Matt Hales e a letra de UR. A faixa original de Tiesto usa um sample vocal que já havia sido utilizado pelo Signum na música Cura Me. É um vocal arrepiante, ao estilo de Lisa Gerrard da trilha de Gladia dor, perfeito para um épico. (Quem tiver curiosidade, procure ouvir). O problema deste remix reside justamente no fato de os vocais não casarem nada com uma produção prog. Fica uma coisa estranhíssima. E ruim.
UR no remix da dupla ficou ótimo, tão bom quanto no remix de Junkie XL, pois a faixa já era originalmente dark e introspectiva, e praticamente implorava por um remix prog.
Volto a dizer que Leama & Moor deveriam aproveitar a ótima produção de A Tear In The Open, mudar os vocais e aproveitar tudo para lançar mais um remix de UR. Seria um grande sucesso.

Finalmente, há ainda um remix sem graça de Nyana, que já era uma faixa sem graça per se

Concluindo, mesmo os grandes fãs de Tiesto não têm muito com o que se entusiasmar com o lançamento de Just Be Remixed. Tenho a impressão de que 2005 não foi mesmo um ano muito feliz para o cara.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Trance The Ultimate Collection


Aqui estou novamente, depois de uma curta ausência, para falar de Trance.
Quando me deparei com o título Trance The Ultimate Collection 2005 Vol. 1, lançado pela Sony Music Media, logo imaginei:
"deve ser horrível!!". As grandes gravadoras tendem a ter uma visão extremamente comercial destas coletâneas e assim procuram juntar em um único pacote artistas tão díspares quanto Paul Van Dyk e Milk Inc. Imaginem então uma coletânea com 4 CDs, num total de mais de 60 faixas.
Em resumo, minhas expectativas eram as mais baixas possíveis.

Comecei a ouvir o volume pelo CD2 e logo de cara achei o tracklist uma tanto quanto pop dance. Aliás esse é um pequeno problema deste volume, que ocorre em todos os 4 CDs: as 2 ou 3 primeiras faixas estão mais para Pop Trance e Eurohouse do que para Trance.
Já a partir da faixa seguinte, o Trance entra de sola, com Activa e Aled Mann num remix de In Essence. Segue depois o único Trance com vocal deste CD, a cargo de Serge Devant e Jan Johnston, na sublime Transparent

Um trunfo deste volume da série (com outros volumes de 2003, 2004 e 2005) é a escolha dos artistas, menos conhecidos, e das faixas, em remixes menos batidos. Assim, vemos surgir uma bela sequência de faixas de Radiate, Solid Trax, Varian e Mystix, para então ouvir o único big star presente aqui: Ferry Corsten.
Temos depois Smith & Pledger, antes de o CD dar ênfase ao som mais hard e pesado das últimas faixas, encerrando-se com Cold Storage de Ronald Van Gelderen.
Seja qual a vertente preferida, os amantes do Trance com certeza têm muito o que apreciar aqui.

A qualidade técnica da mixagem é muito boa, com transições não muito longas mas perfeitas. A sequência que vai de Crystal Clear de Radiate até Desert Heat de Mystix parece ser uma únida música.
É uma pena que não há créditos do DJ responsável pelo mix das faixas, pois ele merece reconhecimento.

Apesar da pequena esquizofrenia do tracklist (com faixas mais pop e outras plenamente desconhecidas), podemos dizer que Trance The Ultimate Collection 2005 Vol. 1 é, em essência uma coletânea de Trance, com uma qualidade técnica que faltou, por exemplo, em In Search Of Sunrise 4
Isso nos mostra, mais uma vez, que grandes nomes não são garantia de grandes sets e, mais ainda, que podemos ser (muito) surpreendidos ao julgar um CD pela capa.

Não deixe de ter uma bela surpresa. Não deixe de ouvir Trance The Ultimate Collection 2005 Vol. 1!

domingo, 15 de julho de 2007

Não foi dessa vez....


Depois de sua passagem pelo Brasil, com uma correspondente explosão de popularidade, o DJ holandês Tijs Verwest, que atende pelo nome de Tiësto, lançou a quarta edição de sua famosa série In Search of Sunrise
Com o subtítulo de Latin America (nem me pergunte por quê), o álbum saiu como edição dupla.
Infelizmente é uma edição dupla que poderia (ou deveria) ter saído simples.
Com um tracklist que conta com artistas bem conhecidos mesclados a novatos, Tiësto tinha tudo para fazer um grande set, mas não se saiu bem na empreitada.
O clima da série, como o próprio nome sugere, sempre foi menos eufórico e mais melancólico, sem nunca deixar de ser uplifting.

Na edição número 4, entretanto, essa característica se perdeu, principalmente no CD2 que mistura umas faixas "meio" dark e se conclui com 4 faixas um pouco "pesadas" para o amanhecer.

Além disso, a ordem das músicas é muito estranha: em vez de ter uma tendência de build up, ela oscila com faixas com pouca inspiração, sendo uma das piores o remix do próprio Tijs para The Force of Gravity

De todos os problemas que encontramos em ISOS4, o pior, no minha opinião, é parte técnica, ou seja, o mix em si. Quem já teve a oportunidade de ouvi-lo ao vivo ou em algum set gravado, sabe que Tiësto é um DJ com boa técnica. Infelizmente, parece que ele não estava em um boa dia quando mixou ISOS4, pois algumas transições são muito curtas, e até mesmo ruins, como no final do CD1 em que The Loves We Lost parece acabar antes de Perfect Silence começar.

Como um exemplo contrário aos últimos álbuns de Ferry Corsten (mas que na verdade confirma minha tese), In Search of Sunrise 4 evidencia que é necessário muito mais do que grandes nomes, nas faixas ou nas pick-ups, para fazer um grande mix.

Ferry arrasa de novo!




Ferry acaba de lançar seu mais novo DJ-Mix, Passport - Kingdom of The Netherlands, na Europa e nos EUA, em versões um tanto diferentes.
A versão americana (contando apenas com o passaporte na capa) é composta de 18 faixas divididas em 2 CDs. Já a versão européia tem apenas um CD com 16 faixas.
O tracklist também é diferente de uma versão para outra, apesar de o número total de músicas ser bem próximo.
Apesar de Ferry ter mais uma vez arrasado na mixagem, em ambos os CDs, a versão européia (com 1 CD) é minha preferida pois ela já contagia logo de início.
O CD1 da versão americana demora um pouco mais para engrenar. Mas depois que engrena, é só jogar os braços pro alto e curtir.
Se a versão européia é a mais empolgante, a versão americana por sua vez agrada ao trazer faixas com maior duração, incluindo:

1. Varian - Endless Desire (Mark Otten Energetic Remix): como o próprio nome diz, um remix bem energético, bem diferente de Tranquility e Mushroom Therapy, queridinhas do Armin em seu programa de rádio A State Of Trance;

2. Purple Haze - Adrenaline: com uma melodia que me fez lembrar de Adagio For String, o produtor Sander van Doorn e/ou Sandler e/ou Sam Sharp arrasa com um épico vibrante e emocional;

3. Dogzilla - Without You: a dupla aposta em vocais masculinos à la Ray Wilson e uma linha melódica de guitarra pra pôr a pista pra dançar.

Essas faixar também estão no mix da versão européia. Quem tiver chance e for um fã dos sets Ferry, deve ouvir as duas versões e, se puder, pegar as DUAS!!

Infinite o quê??




Infinite Euphoria
é o nome de um CD lançado pela Ministry of Sound em 2004 e mixado por Ferry Corsten.
Ferry é um DJ holandês, ex-jogador de futebol, e um dos responsáveis pelo som do Trance moderno, isto é, pós-1997, quando esse estilo incorporou elementos como camadas e mais camadas de sintetizadores, e melodias épicas.

Embora já fizesse muito tempo que as coletâneas da MOS tinham deixado de ser inovadoras, Ferry mostrou o que um gênio é capaz de fazer.
Com um trabalho de mestre na escolha das músicas e na mixagem, ele juntou 40 músicas entre faixas atuais (2° semestre de 2004), outras "antigas" e mais algumas faixas instrumentais e lentas.

Infinite Euphoria mostra que Trance é emoção em forma de música, uma das razões pelas quais o estilo é tão popular na Europa e em outras pastes do mundo.

E eu, que me apaixonei pelo disco desde a primeira vez que ouvi, não pensei duas vezes em escolher esse como o nome desta página.

Seja tech, hard, progressive ou uplifting, in Trance we trust.

Estamos na área

Finalmente, resolvi criar uma página pra discutir música eletrônica.

Música eletrônica em geral, e Trance em particular, tem sido uma das minhas paixões já algum tempo. A falta de foruns e locais pra discutir o assunto sempre foi (e continua sendo) uma fonte de aborrecimento pra mim. Por isso, resolvi lançar o
Infinite Euphoria pra ter o meu espaço.

Sejam bem vindos e fiquem à vontade pra participar da discussão, que pode ser acalorada, mas com respeito.

Valeu!