domingo, 22 de julho de 2007

De volta com Gabriel & Dresden e o tesouro de Molly!!


Depois de muitos meses sem postar no meu blog original, me senti novamente motivado a escrever. Não que durante os 3 meses de ausência eu não tivesse ouvido muita coisa interessante.
Na verdade, faltou-me disposição pra sentar e escolher uma coisa legal sobre a qual escrever.
Então, em meados de março de 2006, uma nova paixão me arrebatou o suficiente pra me fazer sentar na frente do computador e escrever um texto legal.

Essa nova paixão é a voz de Molly Bancroft, parceira de Gabriel & Dresden na alucinante Tracking Treasure Down, lançada para promover o primeiro álbum da dupla americana. O título da música pode ser traduzido livremente com "caçando tesouros", numa alusão a quem não está contente com o que tem e vai buscar um "novo tesouro". É exatamente o outro lado da situação sobre o que canta Mavie Marcos em Beautiful Things do Andain
Aqui, Molly canta sobre a situação de ser deixada de lado, ou posta para trás, e a incongruência do parceiro em não admitir que quer algo novo.
A interpretação de Molly é amarga e não menos arrebatadora do que a melancolia e tristeza de Mavie.

E a produção de Gabriel & Dresden, mais uma vez transmite toda a urgência que a letra carrega, produzindo um acompanhamento de tristeza e uma grande dose de revolta, para servir um prato perfeito.

O mais incrível desta nova faixa de G&D, é o fato de eu mesmo ter me apaixonado por ela. À primeira "ouvida", reconheço que não gostei dela, achei-a enfadonha e sem muita energia. A semelhança do que aconteceu com Arcadia, a faixa me conquistou muito tempo depois, e me pegou de jeito.
Josh Gabriel e Dave Dresden parecem ter mergulhado de vez nessa sonoridade retrofuturista, que ao mesmo tempo que dá a sensação de "puxa, isso parece coisa dos anos 80!!" também soa extremamente moderna.
Mais uma vez eles demonstram que estão entre os melhores produtores pra remixar faixas com vocais. Há vários nomes por aí que tentam, mas percebe-se logo de cara que o remixer não sabia exatamente o que fazer com aquele vocal.
Outros produtores que se enquadram na mesma categoria de vocal-friendly são meu ídolo Armin van Buuren, a dupla italiana Antillas (o remix de Just Be é um clássico instantâneo), a dupla alemã Kyau vs. Albert, e o alemão Steve Murano, por mais incrível que isto possa parecer!! Quem duvidar, que ouça o remix de Long Way Home do ATB e negue o inegável.

Essa faixa é mais um exemplo do que Armin van Buuren vem há um bom tempo dizendo: o futuro do Trance e da música eletrônica em geral é se fundir e produzir híbridos com outros estilos. O mais surpreendente é que de todos os estilos musicais possíveis, o Trance parece combinar com o Rock ou Alternative Rock, incorporando elementos que historicamente faltam ou não que não se desenvolveram nele, notadamente os vocais. Outro belo exemplo dessa conjugação é Jump The Next Train do Young Parisians (a.k.a. Solar Stone) com Ben Lost nos vocais.
O melhor é que, ao contrário de uma faixa rock que é remixada, Tracking Treasure Down é uma faixa eletrônica por natureza e produzida desta maneira.

Grande parte do poder de
Tracking Treasure Down deve-se à performance de Molly, mais do que simplesmente a Gabriel & Dresden. Não que eles não mereçam seu devido crédito, mas a faxia poderia ter um resultado bem diferente se contasse com outra vocalista.
A letra (que eu acredito ser da própria Molly ou então parceria com os produtores) tem uma sensibilidade pop sem ser simplista e um apelo alternative rock, semelhante às composições de Sarah McLahlan.
Aliás, assim como a voz de Sarah, a voz de Molly tem aquela qualidade única, capaz de combinar bem com qualquer acompanhamento, seja ele orgânico como numa produção acústica, seja numa faixa eletrônica.
Essa qualidade é muito bem explorada no Alternative Mix (assim chamado no promo e depois rebatizado de
Low Tech Mix) que está presente no Promo CDR, liberado na internet. Muito parecida com a Slow Train Version de Jump The Next Train, esse remix alternativo é na verdade totalmente alternative rock, e com uma boa divulgação, teria execução maciça nas rádias e poderia ajudar a firmar o nome de Molly como artista solo.

Na época, ainda não havia remixes oficiais disponíveis, fato que depois foi bem compensado no single oficial, que contou com 12 faixas, e eu esperava que o time de produtores escolhidos para o release oficial de
Tracking Treasure Down consiguisse alcançar a qualidade do Original Club Mix.
Existe também um bootleg produzido, na época, por Rein De Vries circulando na internet, que é bem interessante por adotar uma abordagem mais Trance. Infelizmente, a produção não foi 100% profissional, e os lindos vocais de Molly ficaram soterrados pelo instrumental. Além disso, o tal Rein também não soube concluir seu rework e simplesmente copiou o último minuto do Original Club Mix que não casa com a produção Trance do restante da faixa. Mesmo assim, vale a pena conferir como poderia soar um remix produzido por Armin, Above & Beyond ou até mesmo PVD ou Kyau vs. Albert (que realmente remixaram a faixa para o release oficial). But please, não me venham falar de um remix de Tiësto, hein.....

Fiquei muito curioso para ouvir as outras 3 faixas que resultaram dessa colaboração Molly + G&D, que, promete-se, estarão no primeiro álbum duo americano.
Fiquei ainda mais curioso pra conhecer Get Closer, único álbum de Molly lançado comercialmente.

Não deixe de visitar http://www.mollybancroft.com e conhecer um pouco mais dessa incrível artista.

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